Opinião da população é ouvida no novo Plano Diretor

Uma postura crítica com relação aos condomínios fechados e uma diferença entre jovens e adultos sobre os setores da economia que devem ser estimulados pelo governo são algumas surpresas da chamada Leitura Comunitária do Plano Diretor Participativo, que ouviu aproximadamente 8 mil pessoas de Jundiaí, entre abril e maio de 2014. O trabalho, agora, inspira as Oficinas Territoriais, que são as reuniões coletivas com início marcado para 23 de março.

“Esse trabalho do ano passado não foi exatamente um diagnóstico, mas um ponto de partida para nosso trabalho na segunda fase”, afirma a secretária do Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Camara Sutti.

Confira as datas e locais para as reuniões das oficinas

Sobre o que a cidade tem de melhor, Serra do Japi é líder

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Das 8 mil pessoas que se manifestaram, 2.077 foram por questionários recebidos depois de distribuição junto com as contas de água, mais 5.672 deles respondidos por pais e estudantes das escolas municipais e estaduais e outros 22 questionários relatando debates em entidades empresariais, profissionais e associações comunitárias.

Uma das curiosidades foi que, entre os adultos, 60% discordaram da ideia de que o condomínio fechado seja a principal solução para a cidade. Entre os jovens (até 24 anos), essa taxa foi de 56%, mas com predominância em bairros mais pobres.

Outra curiosidade foi a diferença de opinião entre adultos e jovens sobre a economia local. Ambos reconhecem que o perfil da cidade é marcado pelo parque industrial, seguido pelo setor de serviços, mas, na definição de áreas a serem estimuladas, os jovens destacaram o turismo (25% contra 19% dos adultos) e a produção agrícola (17% contra 12% dos adultos).

A tendência coincide com os tópicos apontados por diversas entidades sobre a necessidade de inclusão de conceitos como “cidade inteligente” ou “cidade criativa” para a busca do equilíbrio entre os aspectos econômicos dos empregos, social na qualidade de vida e ambiental na preservação da natureza. Parece simples, mas a divergência surge nos detalhes.

Limites do crescimento
Em reunião promovida no dia 27 de fevereiro, o prefeito Pedro Bigardi recebeu o promotor Claudemir Bataglini e também o presidente da Câmara Municipal, Marcelo Gastaldo. O encontro foi proposto pela Promotoria de Justiça para uma discussão sobre a importância de estabelecer os limites do abastecimento hídrico na previsão do crescimento da cidade – um dos temas mais evidentes a partir dos recentes fenômenos extremos ocorridos no mecanismo do clima.

Para o arquiteto Kazuo Nakano, consultor do processo do Plano Diretor Participativo, o uso do solo é apenas um dos aspectos a serem levados em conta na definição dos anseios manifestados pelos moradores sobre a cidade e deve ser visto dentro da infraestrutura de transporte, de saúde, de trabalho, de abastecimento, de atividades culturais, educacionais e esportivas, de áreas verdes e de saneamento.

“A absoluta maioria dos municípios está muito aquém de soluções criadas pelo Estatuto da Cidade, de 2001, para o manejo do crescimento urbano. Muitas cidades possuem enormes áreas vazias em sua região mais central e acabam estimulando a urbanização de áreas distantes e rurais ou de mananciais, perdendo o uso da infraestrutura já existente”, afirma.

Tentar evitar os problemas comuns a cidades em crescimento (nesse caso especial, de uma cidade antiga e ainda equilibrada) é a tarefa da revisão do Plano Diretor e as oficinas territoriais os momentos de intervenção dos moradores.

Detalhes
Ainda na Leitura Comunitária realizada ano passado, alguns dos pontos mais bem avaliados nos questionários são o abastecimento de água, parque industrial, coleta de esgoto e lixo e rede de comércio. Já as citações espontâneas sobre as melhores coisas da cidade foram lideradas pela Serra do Japi.

Em relação aos problemas oriundos do crescimento populacional, aparecem em destaque questões comotrânsito, segurança, alto custo de vida e transporte público.

Entre as muitas sugestões colocadas nos questionários por entidades profissionais ou comunitárias, estão aspectos como o respeito à população animal (doméstica ou silvestre), o incentivo às indústrias de pequeno porte ou empresas estratégicas, o uso de áreas próximas a rodovias por indústrias ou galpões, melhorias de acessibilidade e até novos núcleos rurais.

Como cada bairro vai poder ser estimulado a conservar as principais características e acrescentar inovações dentro das regras de uso do solo, o alvo é a coleta de opiniões nas Oficinas Territoriais. Mesmo sem conhecer os detalhes da legislação, a maior parte dos moradores sabe as ruas e bairros onde pode ou não construir uma casa ou prédio, abrir um comércio ou serviço, instalar uma indústria ou galpão, cultivar uma horta ou uma plantação.

De acordo com os questionários entregues pelas escolas, 74% dos adultos e 73% dos jovens desconhecem essa lei, que tem muitas partes técnicas mas na essência aponta onde, como e de que maneira a cidade pode crescer ou conservar as diversas áreas e bairros. Mas todos os moradores possuem algo a dizer sobre o futuro da cidade.

População opina sobre o que quer para Jundiaí

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José Arnaldo de Oliveira
Fotos: Arquivo PJ

 


Publicada em 10/03/2015 ▪ Leia mais sobre ,

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