Plano Diretor Participativo avança em sua discussão técnica

Entre os eventos mais importantes da etapa de discussão técnica da proposta de governo do Plano Diretor Participativo, a participação da Prefeitura de Jundiaí no evento chamado Diálogos Urbanos, na terça-feira (14), apontou o momento de reflexão vivido pelo município.

“Mesmo com uma tradição vinda desde a década de 1960 nessa área, o Plano Diretor Participativo é o processo mais rico que vi na história da cidade. Também em projetos como o Urbanismo Caminhável, temos visto eventos onde se busca a memória e a relação com o lugar levados depois para o urbanismo ou, no caso da Ponte Torta, onde como engenheiro eu poderia até ficar contente apenas com a obra, o processo com a comunidade acabou sendo o mais importante. Estamos em um ambiente favorável para debater a cidade”, afirmou o prefeito Pedro Bigardi.

Plano Diretor avança em sua discussão técnica

Plano Diretor avança em sua discussão técnica

A secretária de Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Câmara Sutti, citou a criação de um núcleo de projetos urbanos na pasta e frisou as escalas em que a cidade precisa ser pensada a partir das pessoas e de suas vidas cotidianas, depois para a escala de bairros ou regiões (onde entram projetos urbanos) e, finalmente, na escala mais abrangente de planos, como o próprio Plano Diretor e outros (drenagem, mobilidade, resíduos sólidos, segurança, educação e outros).

“Em todas essas escalas, a participação é algo contemporâneo, deixando de ser questões técnicas restritas a poucos. A maioria dos arquitetos deve conhecer Jahn Gel, que destacou muito a importância de pensarmos a caminhabilidade e os espaços públicos como meios de saúde, de segurança, de ar puro, de convívio. Jundiaí está na mesma situação de Copenhagen, símbolo mundial de qualidade de vida, há vinte anos. É preciso definir se buscaremos uma cidade para as pessoas, para essa qualidade, ou seguiremos modelos tradicionais a qualquer custo, baseados apenas no automóvel e na degradação de espaços públicos”, afirmou.

Sistematização
Os grupos técnicos que analisam as propostas recebidas da sociedade civil ou dos diversos setores públicos também trabalham no alinhamento das mesmas com os 12 objetivos definidos pelo processo colaborativo realizado desde o ano passado para o Plano Diretor Participativo. São três equipes voltadas para as tipologias de parcelamento e uso do solo, para a qualificação da cobertura vegetal e para a sistematização de subsídios, que, na semana passada, também tiveram encontros com a equipe coordenada pelo especialista Anderson Kazuo Nakano.

Participação
Em outra frente, o Grupo Gestor do Plano Diretor, formado por 60% de representantes da sociedade civil e 40% de representantes do poder público, está trabalhando nos detalhes finais do processo de representação dos diversos segmentos que devem escolher delegados no 2º Fórum do Plano Diretor para deliberar sobre a resolução de conflitos que restarem para o evento previsto como Congresso da Cidade. É esse resultado final, ainda em texto, que vai ser transformado em linguagem técnica na minuta de projeto de lei.

Sustentabilidade
Em outros trabalhos, o Conselho do Plano Diretor (colegiado que também integra o Grupo Gestor) realizou uma série de palestras de convidados. Entre eles, o engenheiro florestal Alexandre Spadoni, que trouxe para o grupo uma discussão sobre as questões de cidades envolvidas no debate da conferência climática mundial em Paris (COP 15) e também pendências da Convenção da Diversidade Biológica.

“Muitos cálculos científicos sobre serviços ambientais dos ecossistemas estimam um valor de referência de R$ 8 mil por hectare. Se, em Jundiaí, ainda tivermos 10 mil hectares conservados, seriam R$ 80 milhões a ser considerados pelo clima, pela água, pela biodiversidade e assim por diante”, defendeu Spadoni, citando a rede global Associação de Restauração Ecológica e a necessidade de analisar o capital físico ao lado do capital humano, do capital social e do capital natural.

"É preciso definir se buscaremos uma cidade para as pessoas, para essa qualidade, ou seguiremos modelos tradicionais a qualquer custo, baseados apenas no automóvel e na degradação de espaços públicos”, afirmou Daniela

“É preciso definir se buscaremos uma cidade para as pessoas ou seguiremos modelos tradicionais a qualquer custo”, afirmou Daniela

José Arnaldo de Oliveira
Fotos: Fotógrafos PMJ


Publicada em 22/07/2015 ▪ Leia mais sobre ,

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