Levantamento inédito aponta 928 fragmentos naturais ‘urbanos’

Um trabalho pioneiro da Prefeitura de Jundiaí aponta 928 fragmentos de áreas verdes dentro da atual área considerada urbana do município. O levantamento inédito, que surpreendeu até mesmo os técnicos envolvidos, mostra 24,54 milhões de metros quadrados dos chamados fragmentos nativos (presentes em 13,53% da área urbana, ampliada em 2012). O levantamento é parte dos trabalhos do Plano Diretor Participativo.

A maioria dos fragmentos (874, com 22,3 milhões de metros quadrados) foi de fisionomias do bioma mata atlântica, protegida por lei federal. Apenas uma parte dos fragmentos (54, com 2,2 milhões de metros quadrados) foi de fisionomias do bioma cerrado, protegido por lei estadual.

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Estudo aponta que fragmentos nativos como esse estão no atual limite urbano

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No aspecto territorial, cerca de 400 dos 928 fragmentos estão na área classificada como urbana nos setores de mananciais, especialmente na bacia do rio Jundiaí-Mirim.

Cada fragmento, de acordo com o entorno e características, possui sua capacidade de abrigo de espécies animais e vegetais na biodiversidade local, além de efeitos para o clima e para a produção de água. Apenas em aves registradas por fotos ou sons no maior portal ornitológico do país, o Wikiaves, Jundiaí apresenta 298 espécies cadastradas.

Base de dados
Usando como base as ferramentas AutoCAD e Quantum GIS, o trabalho gerou um documento técnico para cada uma das 928 áreas mapeadas com localização, coordenadas, bioma, área total do fragmento, tipo de vegetação e estágio sucessional (inicial, médio ou avançado), como uma “ficha” atual.

O levantamento, com muitas visitas presenciais em campo, contou com a parceria de técnicos da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente (Ana Maria Martins Rufino Pires, Aydano Carneiro e Erich de Castro Dias) e do Jardim Botânico, vinculado à Secretaria de Serviços Públicos (Thiago Pinto Pires Renato Steck), além de colaboradores.

O engenheiro florestal Thiago Pinto Pires, do Jardim Botânico, explica que levantamentos florísticos não se referem a flores, como pode parecer, mas à flora. “No caso dos diversos tipos de cerrado existem espécies vegetais únicas que são nativas desse tipo de bioma, assim como ocorre nas diversas fisionomias de mata atlântica”, afirma.

Em mata atlântica ou cerrado (foto), registro pode melhorar defesa de áreas naturais fragmentadas

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Para o diretor de meio ambiente da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, Marcelo Pilon, esse tipo de trabalho cooperativo entre secretarias é fundamental. “A vocação de uma cidade não é crescer destruindo seus biomas, mas crescer respeitando seu próprio ambiente. Esse levantamento é um bom passo nessa direção”, disse.

Entenda as matas
O estudo de vegetação, que foi apresentado ao Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente na quarta-feira (11), é um trabalho que observa aspectos de fisionomia, estrutura e composição. Em Jundiaí, a fisionomia de Mata Atlântica segue a lei federal 13.550 e tem como referência principal a Serra do Japi (floresta estacional semidecidual, até 1 mil metros, e floresta estacional semidecidual de altitude, acima de 1 mil metros, além de lajedos rochosos) e a fisionomia de Cerrado tem diversos tipos definidos pela lei estadual 13.550 (cerradão, cerrado stricto sensu, campo cerrado e campo ou savana), sendo confirmado também por espécies endêmicas.

José Arnaldo de Oliveira
Fotos: Reprodução


Publicada em 13/11/2015 ▪ Leia mais sobre

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