Estudo mostra riscos da verticalização desordenada

O processo de verticalização das cidades agrava os impactos negativos que o poder público e a comunidade já precisam enfrentar diante do fenômeno do adensamento populacional, que deve ser pensado coletivamente, como ocorreu no processo do Plano Diretor Participativo, implementado ao longo de dois anos pela Prefeitura.

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Diagrama de apoio

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Entre os impactos gerais estão o afastamento psicológico e a perda de participação cotidiana das pessoas, a sobrecarga dos sistemas públicos de ensino, de saúde, de transporte, de energia e de comunicações, o aumento dos resíduos (lixo), a sobrecarga dos espaços livres, o aumento de vandalismo e criminalidade e também da demanda por serviços.

Também fazem parte da lista o aumento de ruído, os danos à vegetação, o crescimento de estabelecimentos (comércio, serviços, indústrias) e ainda mais de veículos, levando também aos riscos de mais atropelamentos de pedestres.

Por outro lado, o aumento de descarga de esgotos pressiona os riscos de poluição hídrica.

A verticalização descontrolada acrescenta a essas questões do adensamento a perda de valor artístico da cidade (que pode ficar monótona e insensível) e a destruição de seu patrimônio histórico, artístico e cultural.

Entre suas questões específicas estão o aumento de impermeabilização do solo, que reduz a infiltração de água e, ao lado da canalização, acarreta o chamado “run off”, ou aumento de velocidade de escoamento para as calhas principais, sujeitas então a inundações.

A soma do volume construído, por outro lado, leva a um aumento da superfície de absorção de calor e da chamada rugosidade, ampliando e mudando a circulação dos ventos. Esses fenômenos, ao lado do aumento da poeira em suspensão (com a redução da vegetação geral) diminui o ciclo de evaporação e transpiração, que por sua vez tem efeitos na temperatura para formar o que é chamado de “ilha de calor”, que concentra tempestades.

É importante notar que esse cenário ocorre com a soma de iniciativas isoladas de moradores, empresas ou instituições e nem sempre são percebidas de maneira individual. A perda de vegetação, além de reduzir também a fauna silvestre existente, é um dos fatores envolvidos na poluição atmosférica que forma o chamado “domo de poeira” e, obviamente, o efeito estufa local. Com a absorção da radiação solar pela camada superior desse domo, ocorre ainda a inversão térmica que vai retroalimentar o fenômeno da poluição.

As medidas discutidas no processo de elaboração do Plano Diretor Participativo de Jundiaí, entre 2014 e 2016, cruzam ações voltadas para reduzir os impactos dos processos de adensamento populacional e de verticalização, que foram acelerados ao longo da década anterior, reorganizando o território dentro dessas preocupações com a qualidade de vida dos moradores e do ambiente do município.

Crescimento vertical acelerado exigiu reorganização do tema no Plano Diretor

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José Arnaldo de Oliveira
Foto: Arquivo PMJ


Publicada em 29/03/2016 ▪ Leia mais sobre

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