Plano Diretor Participativo desenha uma Jundiaí acessível para todos

A Prefeitura vem trabalhando na busca de novas medidas de acessibilidade no seu desenho urbano. Dessa forma, não apenas pessoas com deficiência mas também idosos, gestantes, mães com carrinhos de bebê ou moradores com carrinho de supermercado, entre outras, vão poder se beneficiar com a mobilidade.

“É um trabalho intenso que temos buscado desde o início da gestão, que criou um espaço próprio para esse tema. E envolve muitas questões além das rampas, que são parte da acessibilidade física”, afirma o titular da Coordenadoria dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Reinaldo Fernandes.

Ele destaca que, mesmo com quase 400 anos, a cidade não teve mais do que algumas ações pontuais em tempos anteriores. Entre as ações de curto prazo estão a implementação de 60 quilômetros de roteiros acessíveis com rampas, faixas e calçadas e as reformas do Centro das Artes (Sala Glória Rocha) e do Escadão (Esplanada Monte Castelo), ambas em fase final, e, a longo prazo, as discussões em torno dos próximos dez anos para o Plano Diretor Participativo, também em fase final de sua etapa no Executivo e que contou com a participação desse setor e de conselheiros do ramo.

LEIA TAMBÉM
Reuniões de diálogo reduzem conflitos no Plano Diretor
Prefeitura registra boletim de ocorrência de pichação na Ponte Torta

As obras das novas rampas no Escadão, durante visita técnica da secretária Daniela da Camara

As obras das novas rampas no Escadão, durante visita técnica da secretária Daniela da Camara

Para a secretária de Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Camara Sutti, essa preocupação colocada com o tema como parte do próprio desenho universal da cidade é essencial. “Com isso tivemos um apoio na própria tendência atual do urbanismo de buscar cidades para as pessoas”, afirma.

Grupo técnico
A passagem do eixo que sempre privilegiou apenas carros e projetos imobiliários para esse desenho mais acessível é lenta – e mesmo os terminais de ônibus do sistema integrado (Situ) foram construídos anteriormente sem padrões adequados de rampas ou banheiros.

Mas as mudanças estão sendo feitas. O fato de que a calçada não é um acesso à casa ou estabelecimento, mas uma parte da via destinada aos pedestres (o “passeio público”) é reforçado pela nova Lei Brasileira de Inclusão, que entrou em vigor no mês de janeiro e está ganhando um grupo de trabalho em Jundiaí formado por representantes de Serviços Públicos, Planejamento e Meio Ambiente, Negócios Jurídicos, Obras e da Coordenadoria.

Adaptações
As novas construções vão ser orientadas pelo novo Plano Diretor a buscarem o desenho universal, mas o atraso na preocupação com o tema em décadas anteriores vai exigir outros tipos de intervenção. Um dos casos apontados para essa diferença, pouco notada pelos moradores, está em detalhes físicos do Parque da Cidade (2004) e com maiores recursos no Parque do Engordadouro (2015).

Para Reinaldo Fernandes, o legado das ações vai ser uma cidade mais acessível a todos

Para Reinaldo Fernandes, o legado das ações vai ser uma cidade mais acessível a todos

“Temos avançado também em estudos sobre como adequar construções históricas para a conexão com o desenho universal, pois, à medida em que a acessibilidade coloca pessoas a conviver com os mais diversos espaços, abre-se uma demanda a adequá-los cada vez mais”, diz a presidente do Conselho do Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), Maria Angélica Ribeiro.

Nesse sentido adaptativo, o novo Plano Diretor deve trazer mais instrumentos para a fiscalização de calçadas, por exemplo. Mas os técnicos envolvidos na passagem para um novo modelo de governança para as vias de pedestres preveem esse trabalho como um “processo” de médio prazo, como ocorre com o fim de escadas em projetos como do futuro BRT (ônibus de trânsito rápido).

Abrangente
O debate sobre o desenho universal, que envolve desde a acessibilidade de todas as pessoas até aspectos como sinalização própria e conforto para pedestres (o que envolve a presença de vida ativa na parte térrea dos prédios, por exemplo), também há muitos aspectos diferentes em casos específicos de pessoas com deficiência.

Além da acessibilidade física em si (como as rampas) esse setor envolve questões como o acesso temático, seja para uma pessoa com deficiência auditiva acessar informações ou para uma pessoa com deficiência visual desfrutar de um evento cultural como o teatro. Novas parcerias podem gerar a Central de Interpretação de Libras, por exemplo, ou ampliar a presença de piso tátil ou cardápios em braile e assim por diante.

Em resumo, a busca da cidade com desenho universal, bastante presente no projeto do novo Plano Diretor, é também a busca de uma cidade mais democrática, inclusiva e sustentável.

José Arnaldo de oliveira
Foto: Arquivo PMJ


Publicada em 03/03/2016 ▪ Leia mais sobre

Plano Diretor Participativo | Desenvolvido por CIJUN